27. December 2011

País usa energia ‘suja’ no horário de pico

Hidrelétricas não dão conta, e térmicas, mais poluentes e caras, são ligadas para garantir oferta no auge de consumo

Solução pode ser aumentar a capacidade das hidrelétricas, com a troca de rotores ou a instalação de turbinas

AGNALDO BRITO

Mesmo com os novos projetos na Amazônia (como Belo Monte, Jirau, Santo Antônio e Teles Pires), o Brasil enfrenta falta de hidrelétricas para garantir a oferta de energia no horário de pico, principalmente no auge do verão, quando a carga exigida no país bate recordes.

O pior é que a situação está ficando mais grave ano após ano. Para suprir essa falta, o país tem recorrido a uma energia muito mais cara e poluente: as termelétricas. O assunto tem sido tratado apenas em relatórios técnicos de autoridades do setor elétrico.

O uso de térmicas para atender horário de pico começou em 2009 e não parou mais. Segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) -instituição que toma conta da geração de eletricidade no país-, o uso de térmicas para suprir essa demanda é inadequado.

O horário de verão, que redistribui o horário de maior demanda em algumas regiões do país, minimiza o problema, mas não o elimina.

Não é só inadequado do ponto de vista técnico. O uso de térmica custa muito para o consumidor. Dados da Abrace (Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e Consumidores Livres) mostram que em 2011 o acionamento de termelétricas vai colocar na conta de luz de 2012 uma quantia de R$ 1,4 bilhão.

Esse valor será rateado pela Aneel (agência reguladora do setor de energia elétrica) em 2012. A Abrace afirma que o uso de térmicas para o horário de pico (em vez das hidrelétricas mais baratas) está dentro dos R$ 1,4 bilhão.

O ONS diz que, neste ano, devido ao bom volume de chuvas, não foi preciso ligar térmicas durante os picos de consumo.

SOLUÇÃO

A solução não é simples e passa pelo aumento da capacidade instalada nas grandes usinas. O problema é que o modelo brasileiro remunera as usinas pela energia gerada, não pela capacidade disponível. O governo discute a criação de um incentivo.

Uma hipótese é a de condicionar a renovação das concessões das hidrelétricas, em 2015, ao aumento da capacidade das usinas. Potencial disponível existe.

Estudo feito pelo WWF-Brasil afirma que o país pode elevar a capacidade de 67 usinas em 8.093 MW apenas trocando o rotor das turbinas.

Outro estudo, feito pela Abrage (Associação Brasileira das Empresas de Geração de Energia Elétrica), mostra a possibilidade de elevar em 5.214 MW a capacidade de 14 usinas hidrelétricas no país.

Isso seria possível instalando mais turbinas nas barragens, onde já existe espaço para isso. Há casos em São Paulo, nas usinas de Três Irmãos e Porto Primavera.

Ampliar a capacidade das velhas usinas é a única solução, já que o país tem reduzido o tamanho das novas. Para minimizar impactos, principalmente na Amazônia, as novas hidrelétricas não têm reservatório, impossibilitando o acúmulo de água para o período seco. A solução tem sido usar mais as térmicas.

20. December 2011

Energia solar vai aquecer água do chuveiro de 4 mil moradores

Projeto atenderá, a partir de meados de 2012, a quatro bairros de Cariacica e Serra


Mais de 4 mil moradores de bairros de Cariacica e Serra terão, a partir de meados de 2012, aquecimento de água para chuveiro, por meio de equipamento solar. Os bairros de Serra Dourada I, II e III, na Serra, e Itanguá, em Cariacica, receberão equipamentos para aquecimento solar da água como parte do projeto do Bairro Solar desenvolvido pela EDP Escelsa em parceria com o governo do Estado.

O projeto prevê a troca do chuveiro pelo equipamento para aquecimento da água. "O que investimos é parte do percentual de 0,5% do faturamento da empresa que deve ser aplicado em projetos de eficiência energética", explicou o gestor-executivo da EDP Escelsa, Amadeo Wetler.

Cada equipamento custou em torno de R$ 3,5 mil e nos primeiros bairros definidos a empresa instalará 4.240 unidades deles, o que significa investimento de R$ 14,8 milhões.

Serão 4 mil imóveis nos três bairros de Serra Dourada (etapas I, II e III) e outros 240 apartamentos dos 15 prédios em um condomínio localizado em Itanguá, Cariacica.

Os equipamentos não serão destinados à geração de energia, mas ao aquecimento de água para banho. Segundo Wetler, não há um índice preciso de economia de energia, a partir da utilização das placas solares. "Isso depende do número de moradores de cada casa e da demora no banho. Mas, a economia é importante porque é no horário de pico que os chuveiros elétricos deixarão de ser utilizados", explica.

Em abril de 2012, as primeiras 2 mil residências já terão água aquecida por meio do calor. A Escelsa pretende estender para outros bairros da Grande Vitória o projeto, segundo Amadeo Wetler.

Repartições na onda sustentável

Em solenidade ontem à tarde no Palácio Anchieta, foi anunciada a parceria da EDP Escelsa e do governo do Estado para implantação do programa de eficiência energética em vários órgãos e secretarias.

A Escelsa começará a troca das lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes no Palácio Anchieta, Palácio da Fonte Grande e residência oficial da Praia da Costa. Outros órgãos desenvolverão projeto semelhante.

O termo de cooperação foi assinado entre a Secretaria da Agricultura, Incaper e Idaf para a produção do Atlas do Potencial Solar do Espírito Santo e o Estudo da Biomassa. "Nós temos 329 serrarias que produzem 400 mil metros cúbicos de resíduos de madeira que podem ser utilizados para gerar energia. O estudo vai apontar este potencial e as possibilidades de uso", explicou o secretário de Agricultura, Enio Bergoli.

Saiba mais

Energia solar
O projeto de substituição dos chuveiros elétricos por equipamentos à base de aquecimento solar começou pelos bairros de Serra Dourada I, II, III, localizados na Serra. São 4 mil residências beneficiadas, cujos proprietários conseguirão redução nos gastos com energia.

Itanguá
Nesta primeira etapa, serão atendidos 240 apartamentos em Itanguá, Cariacica. A intenção é levar a proposta para outros bairros da Grande Vitória.

Governo estadual
O governo do Estado, em parceria com a EDP Escelsa, começa um projeto de mudança de lâmpadas no Palácio Anchieta e outros locais públicos visando à maior eficiência energético. A redução no gasto de energia será adotada também pelo Judiciário e Ministério Público.

Pesquisadores apoiados pela Fapitec desenvolvem produtos inovadores com energia solar

Fogão, secador de frutas e desinfecção de água contaminada são alguns exemplos da utilização do sol como fonte de energia

A energia solar é uma das alternativas energéticas promissoras para o futuro, por ser inesgotável e renovável. Os países que mais produzem energia solar são Japão, Estados Unidos e Alemanha. Em Sergipe, pesquisas têm colaborado para desenvolvimento sustentável no Estado. Já imaginou comer alimentos cozidos através de um fogão solar? Este é um dos projetos aprovados no edital de Tecnologias Sociais, coordenado pelo pesquisador da UFS, Paulo Mário. O projeto foi desenvolvido na comunidade do Robalo, em Aracaju, com o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica (Fapitec/SE), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec).

A partir do programa de Tecnologias Sociais, comunidades carentes têm acesso a tecnologias inovadoras utilizando energia solar. Fogão, secador de frutas e desinfecção de água contaminada são alguns exemplos da utilização do sol como fonte de energia. “Esta ação se insere na perspectiva de contribuir com melhoria da qualidade de vidas das populações com maior vulnerabilidade e de colaborar com a construção de um padrão de desenvolvimento mais sustentável”, afirmou Paulo Mário.

Além de amenizar os processos de degradação, o fogão solar incrementa a renda diminuindo os gastos na compra da lenha, ação rotineira dos moradores, e do gás de cozinha. Além disso, a energia solar é considerada uma fonte de energia limpa e renovável, pois não polui o meio ambiente e não acaba. A partir do fogão desenvolvido nesta comunidade, o pesquisador Paulo Mário, analisando os problemas de saneamento e utilização da água, com altos índices de coliformes fecais, desenvolveu outro produto inovador: uma planta piloto para desinfecção de água através da energia solar.

“A utilização da energia solar como proposta de desinfecção de águas no estado de Sergipe pode ser tecnicamente viável, pois além da intensidade solar favorável na região, já existe um domínio de desinfecção para pequenos reatores”, afirmou o pesquisador. O projeto já alcançou bons resultados e a próxima meta é aplicar extensivamente na comunidade do Robalo. Com recursos oriundos do edital, foram investidos mais de R$ 50 mil nos dois projetos.

Secador de frutas solar

A desidratação de frutas em secador solar é uma técnica simples e de baixo custo. Quando planejada nos horários e período de alta incidência solar, adequado às condições de secagem, pode-se obter produtos de qualidade. Com esta proposta, o pesquisador da UFS, Gabriel Francisco Silva, pretende contribuir mais ainda para a produção de energia limpa.

“O projeto tem por objetivo realizar estudo, montagem e transferência de um secador solar compacto para secagem e desidratação de frutas e outras matérias primas”, afirmou o pesquisador. A ação de sustentabilidade apoiará a Associação Comunitária Resplandescer na padronização e na qualidade de seus produtos. A associação é formada por um grupo de 30 mulheres de baixa renda, situada na comunidade rural do povoado Cabrita, município de São Cristóvão /SE. Serão realizadas oficinas, treinamento e aplicação da cartilha para auxiliar a utilização do secador solar.

28. November 2011

Tecnologia brasileira elimina poluentes industriais com energia solar

Sol e titânio

Pesquisadores da Unicamp criaram uma alternativa sustentável, viável economicamente, e altamente eficiente, para eliminar poluentes orgânicos da água.

A tecnologia usa energia solar para destruir os poluentes presentes na água, representando uma solução adequada para as áreas mais carentes não apenas do país, mas de todo o mundo.

A equipe da professora Cláudia Longo utilizou energia solar e nanopartículas de dióxido de titânio (TiO2), em uma tecnologia que está sendo patenteada para então ser desenvolvida em escala industrial para chegar ao mercado.

De acordo com a pesquisadora, os resultados obtidos nos experimentos realizados em escala laboratorial são promissores e indicam que o sistema pode ser aperfeiçoado e utilizado tanto para combater a poluição industrial quanto para dar melhores condições de vida para a população.

A tecnologia é adequada para a etapa final do tratamento de efluentes industriais, mas “também poderá ser utilizada para a purificação da água consumida por pessoas que vivem em regiões sem acesso a saneamento básico”, aponta.

Energia solar contra poluentes orgânicos

Os pesquisadores desenvolveram um sistema que consiste na conexão de um eletrodo de TiO2 a células solares, resultando na combinação de duas aplicações da conversão da energia solar por meio de semicondutores.

Conforme explica Cláudia, a primeira aplicação resultante, e já bastante conhecida, é a conversão em energia elétrica. A outra se refere à purificação da água. O diferencial do trabalho é a combinação das duas, tornando o processo mais eficiente em relação às alternativas existentes.

Em relação ao tratamento de efluentes disponíveis atualmente, ela aponta algumas limitações, como custos elevados e o longo período necessário para a descontaminação.

Outro fator relevante inclui a baixa eficácia para eliminar diversos poluentes orgânicos solúveis, tais como fenol, pesticidas, corantes e medicamentos. Estes poluentes persistentes permanecem no ambiente por longos períodos, já que não são biodegradáveis.

Os testes em escala laboratorial mostraram resultados animadores em relação à eliminação justamente desse tipo de substância da água, com a degradação de 78% do fenol após três horas sob irradiação solar; após seis horas, mais de 90% do poluente foi mineralizado.

As substâncias investigadas pelo projeto incluem, além do fenol, o corante Rodamina 6G (utilizado na indústria têxtil) e os fármacos paracetamol e estradiol.

Saneamento sustentável

O sistema também tem grande potencial para desinfecção de água contaminada por bactérias.

Com a possibilidade de ampliação dos testes e aperfeiçoamento do sistema, o trabalho pode ter aplicação na etapa final do tratamento de efluentes, tendo como alvo estações de tratamento de efluentes de indústrias têxteis, de papel e celulose, petroquímicas e de agrotóxicos, por exemplo, bem como companhias de água e esgoto e estações de tratamento de efluentes em shopping centers, entre outros.

Cláudia ressalta ainda que o sistema aperfeiçoado também pode ser utilizado para purificação de água em comunidades afastadas, não atendidas pelo serviço básico de saneamento, eliminando contaminantes resistentes a tratamentos convencionais.

Outra vantagem do sistema é o fato de ser autossuficiente do ponto de vista energético, devido à utilização de radiação solar. Baixo custo e o fato de ser sustentável (não é poluente, não exige adição de insumos e não gera resíduos) completam a relação.

EPE prepara estudo sobre distribuição de energia solar

DANIELA AMORIM – Agencia Estado

RIO – O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, disse que a entidade esta elaborando um estudo para viabilizar a comercialização da energia solar no País. O estudo, encomendado pelo Ministério de Minas e Energia, analisa formas de distribuição e como poderiam ser viabilizados os leilões de energia de matriz solar.

“Temos um potencial interessante de energia solar e o Brasil é o segundo maior produtor de silício no mundo, material exportado para fazer os painéis solares, que depois retornam para cá. Então temos a matéria-prima. Temos potencial para industrialização” disse Tolmasquim na abertura do Seminário Nacional de Energia Solar, realizado na sede da Fecomercio-RJ.

Durante o evento, o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e Energia do Rio, Júlio Bueno, entregou a Tolmasquim a proposta do estado para a Carta do Sol, que sugere políticas para a expansão da energia solar no País. Seu texto trata da criação de mercado, de desenvolvimento tecnológico e de incentivos financeiros e tributários, explicou Bueno.

De acordo com Tolmasquim, a Carta do Sol, que ainda deve ser assinada por todos os secretários estaduais de energia, servirá como subsídio importante para o estudo em andamento encomendado pelo Ministério. “Vem em um ótimo momento”, concluiu o presidente da EPE.

21. November 2011

O nascer do sol

  A geração de energia solar, antes restrita a países ricos, está na agora na mira do Brasil, que possui um dos maiores potenciais de energia renovável do mundo. Temos localização privilegiada, com alta incidência de sol, dimensões continentais que facilitam a instalação de plantas e uma importante reserva de quartzo para a produção de silício destinado a placas fotovoltaicas.

 O futuro do Brasil no setor pode ser medido pelo sucesso de outros países. A Alemanha, líder mundial do setor, gera em energia solar mais do que todo o consumo residencial do Nordeste brasileiro. O país europeu, no entanto, tem na área de maior incidência de sol uma radiação 40% menor que a região mais pobre em insolação do Brasil, no Estado de Santa Catarina.

Um dos marcos simbólicos dessa nova fase é a Usina Solar de Tauá, no Ceará, uma região que possui excelentes índices de radiação. A planta, resultado de investimentos da MPX, de Eike Batista, em pesquisa e desenvolvimento, foi inaugurada em agosto com capacidade de 1 megawatt (MW) e será duplicada já nos próximos meses, em parceria com a GE. A previsão é atingir 5 MW nos próximos anos e alcançar a meta de 50 MW ao passo da evolução da matriz energética. Nosso empreendimento contou com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

O setor parece ter acordado, e outras iniciativas privadas já aquecem o mercado. Além disso, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do governo federal, anunciou que deve incluir a energia solar em leilões de energia e está elaborando, sob demanda do Ministério de Minas e Energia, um estudo para a introdução, em escala ampliada, da fonte no Brasil. Após um período de apresentação de tecnologia e de ajustes, as placas fotovoltaicas devem disputar um espaço nos leilões.

Com mais empreendimentos solares no Brasil, aumenta a escala desse setor, impactando de forma positiva nos custos de implantação das usinas. O preço dos painéis caiu pela metade nos últimos anos e, segundo projeção do mercado, acelerará a tendência de queda. Hoje, o custo, entre R$ 400 e R$ 500 por MW/h, ainda é sensivelmente maior que a de outras fontes.

Com tantos sinais somados à nossa natureza privilegiada, acreditamos que, nos próximos anos, o sol não será mais apenas um astro que colore e esquenta as nossas terras, mas também uma importante fonte de energia complementar de um país com uma matriz cada vez mais diversificada.

Eduardo Karrer

Presidente da MPX, empresa de energia do Grupo EBX

Baixa Renda: solução para regularizar uso de energia

Pesquisadores da PUC-Rio analisaram práticas nacionais e internacionais de regularização do fornecimento de energia para populações carentes, com objetivo de elaborar recomendações para as áreas atendidas por Unidades de Polícia Pacificadora no Rio de Janeiro. Dos quase 50 casos analisados, foram selecionados 18 pela semelhança de características em relação ao perfil desejado: alta concentração de unidades consumidoras em zonas urbanas violentas e marcadas pela informalidade, atendidas por concessionária privada obediente à regulação por preço-teto, com subsídio tarifário e baixa capacidade de pagamento da conta de energia.

 

 

Dentre esses casos, destacam-se as experiências na Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Uruguai, Índia, Malásia, Filipinas, África do Sul, Moçambique, Marrocos, Estados Unidos e Brasil, particularmente regiões atendidas pelas distribuidoras Eletropaulo (SP), Coelba (BA), Coelce (CE), Celpa (PA) e pela própria Light (RJ). Como resultado, o estudo apresentou seis recomendações para formalização do fornecimento de energia para consumidores de baixa renda.

Uma delas refere-se à geração de renda e aumento da capacidade de pagamento. Nesse item, recomenda-se que a concessionária atue para auxiliar esses consumidores a receber o Número de Identificação Social (NIS), um dos requisitos necessários à candidatura da unidade consumidora à obtenção do benefício da Tarifa Social.

Outra sugestão é implementar programas como troca de lixo reciclável por descontos na conta de energia e projetos de geração de emprego e renda, além de treinamento aos trabalhadores das empresas instaladas na comunidade. Recomenda-se, também, firmar pactos sociais e promover a educação para o consumo de energia, bem como incentivar a eficiência energética por meio da instalação de placas de aquecimento solar para reduzir o consumo dos chuveiros elétricos.

O estudo sinaliza ainda a adoção de política creditícia local, por meio do financiamento da troca de equipamentos ineficientes. Melhorar os padrões de eficiência energética da construção civil também aparece entre as recomendações e pode ser feita pela influência da arquitetura das casas, de modo a torná-las mais claras e adaptadas ao clima local.

O combate à fraude, ou seja, ao consumo irregular, é apontada como alternativa a ser alcançada com a substituição de medidores domiciliares por equipamentos de medição remota, instalação de transformadores automonitorados, entre outras opções. Sugere-se, ainda, o aprimoramento da regulação sobre o atendimento dessas comunidades, com reconhecimento de investimentos necessários à recuperação das perdas das concessionárias e fixação de tetos adequados de perda e inadimplência no cálculo tarifário. (informações da Aneel)

16. November 2011

Tarifa de energia elétrica calculada a partir do consumo em horários diferenciados só deve ser aprovada em 2012

A resolução que estabelece a implantação de medidor eletrônico para permitir a cobrança de tarifas de energia elétrica diferenciadas de acordo com o horário de consumo deverá ser aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) só em 2012.

Sabrina Craide - da Agência Brasil

A audiência pública sobre a proposta da Aneel foi encerrada em janeiro e a previsão era que a votação ocorresse em maio deste ano, mas contribuições ainda estão sendo avaliadas pela área técnica da agência e não há previsão de deliberação da matéria.

A cobrança de tarifas diferentes conforme o horário, que já é adotada no serviço de telefonia, vai possibilitar que os consumidores residenciais controlem melhor o uso da energia elétrica, evitando a utilização de alguns tipos de aparelhos em horários em que a tarifa é mais cara. Também poderá evitar a sobrecarga do sistema elétrico nos horários de maior consumo. Segundo a proposta da Aneel, as tarifas de energia devem se divididas em pelo menos quatro horários e os valores da energia devem ser informados ao consumidor.

Para o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a Aneel deve exigir das concessionárias investimentos de infraestrutura para atender à demanda e não cobrar a mais do consumidor pelo uso da energia no horário de maior consumo. “A intenção da proposta é interessante, porque obriga o consumidor a racionalizar a energia e utilizá-la de maneira inteligente nos momentos em que tenha maior demanda, mas o Idec é contrário a qualquer tipo de aumento na tarifa”, diz a advogada da entidade, Mariana Ferreira Alves.

Ela avalia que é preciso uma política de descontos na fatura para quem usa a energia em horários alternativos, e não cobrar mais caro de quem utiliza quando a demanda é maior. “Até porque há pessoas que trabalham o dia inteiro e só pode tomar banho naquele horário. Ela não pode ser punida com uma tarifa mais alta.”

Na Câmara dos Deputados, um projeto de lei do deputado federal Weliton Prado (PT-MG) proíbe as concessionárias de energia elétrica de cobrar tarifas diferenciadas por horário do consumo, mas permite que as empresas concedam descontos para quem reduzir o consumo em horários de pico. O projeto tramita em caráter definitivo na Comissão de Defesa do Consumidor, mas antes da decisão dos deputados deve ser realizada uma audiência pública sobre o assunto.

Além da cobrança diferenciada, a instalação de medidores eletrônicos de energia vai permitir que os usuários tenham acesso a informações sobre o consumo e o fornecimento de energia e possibilitar a comunicação remota entre consumidor e distribuidora. O prazo para a implantação dos novos relógios de medição pelas distribuidoras deverá ser de 18 meses depois da publicação da resolução.

06. November 2011

Energia solar fica mais competitiva no país

Preço dos painéis fotovoltaicos recua, viabiliza projetos e expande capacidade instalada no planeta em 74%

Projeto-piloto com 6 distribuidoras de energia em 2012 pode levar à desoneração de equipamentos

CLAUDIO ANGELO & SOFIA FERNANDES – FSP

A energia solar, renovável que mais cresce no mundo, começará a ganhar incentivos do governo para sua adoção no Brasil -embora de forma muito mais tímida do que ocorreu com a eólica.
Seis distribuidoras de energia devem iniciar projeto-piloto de geração solar em 2012.
A ideia é aplicar um plano da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para que donos de painéis fotovoltaicos liguem suas instalações na rede e troquem energia com as concessionárias.
Se a experiência der certo, o governo começará a estudar a desoneração tributária de equipamentos do setor.
Até agora, a energia solar tem sido deixada de molho no país, sob a alegação de custos altos demais.
Esse quadro mudou: hoje o megawatt-hora fotovoltaico tem custo ao consumidor estimado de R$ 500 a R$ 600, o mesmo ou menos do que pagam os usuários de energia convencional de 31 distribuidoras em Estados como Mato Grosso e Minas Gerais.
O preço dos painéis fotovoltaicos tem despencado -caiu 50% somente no último ano. Isso fez com que a capacidade instalada no planeta crescesse 74% em 2009 e 2010. A eólica aumentou 26% no período, segundo o relatório “Renewables 2011″.
“O que acontece com a solar é o que ocorreu com a eólica. Ela fica mais competitiva”, diz Ivan Cardoso, diretor de distribuição da Aneel.
O modelo que o governo pretende implantar é o chamado “net metering”. Ele consiste em medidores inteligentes instalados entre o painel solar e a ligação elétrica de uma casa. De dia, eles permitem que o painel jogue energia na rede. À noite, que a rede alimente a residência.
Para isso, será preciso obrigar as distribuidoras a fazer a conexão. As empresas hesitam, alegando problemas de segurança na rede.
O incentivo é um passo aquém do modelo adotado em países como Japão e Alemanha, a chamada tarifa “feed-in”, pela qual o gerador de energia solar pode vender seu excedente para a rede.
“O ‘feed-in’ seria a melhor opção, mas a Aneel quer usar escambo de energia, como nos EUA”, diz Antônio Granadeiro, presidente da Abeer (Associação Brasileira das Empresas de Energia Renovável). Ele comemora, porém, a adoção do “net metering”. “Melhor do que nada.”

QUEIXAS DA INDÚSTRIA
As indústrias se queixam da tributação. Baterias e inversores representam a maioria do custo de uma instalação e pagam, no caso dos inversores, 60% de imposto.
“Não há um Proinfa para solar”, diz Granadeiro, citando o programa de subsídios e a desoneração que permitiu que a energia eólica se expandisse no país.
O governo pede calma. Segundo Altino Ventura, secretário de planejamento e desenvolvimento energético do Ministério de Minas e Energia, é preciso primeiro ver como o piloto vai funcionar.
O teste será feito em São Paulo (com a distribuidora EDP Bandeirante), no Rio (com a Light), no Rio Grande do Sul (CEEE), em Santa Catarina (Celesc), no Pará (Celpa) e em Minas (Cemig).
A ideia é aferir o medidor inteligente a ser usado no país e o modelo de relacionamento entre o microprodutor de energia e a distribuidora.
Ventura afirma que o incentivo deverá favorecer indústrias instaladas no país. Coreia, Espanha, Japão e Alemanha têm prospectado oportunidades no Brasil.

09. October 2011

Microinversor brasileiro viabiliza usinas solares domésticas

Usina solar doméstica

É cada vez mais comum ver sobre os telhados das casas e edifícios painéis solares fotovoltaicos para a geração de energia.

Como os painéis solares ainda são caros, um grande incentivo para sua utilização seria a possibilidade de vender a energia gerada para as concessionárias, quando o proprietário da casa não a estivesse utilizando.

Essa geração distribuída de energia é um dos conceitos mais difundidos hoje no mundo, em substituição ao sistema atual, de grandes usinas geradoras que distribuem para consumidores passivos.

Mas, para que os consumidores se transformem em geradores de energia, é necessário um equipamento que possa captar a energia gerada em cada residência e injetá-la na rede de distribuição, onde ela poderá ser compartilhada e usada por outros consumidores.

Foi o que fizeram Jonas Rafael Gazoli e Ernesto Ruppert Filho, engenheiros eletricistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Microinversor

Os pesquisadores desenvolveram um microinversor monofásico que permite ligar os painéis solares fotovoltaicos à rede elétrica de baixa tensão.

Os sistemas fotovoltaicos são constituídos basicamente por um ou mais painéis solares, acoplados a um microinversor eletrônico. A função básica do inversor é converter a eletricidade de corrente contínua, como é gerada pelas células solares, em corrente alternada, que é a forma pulsada de energia presente na rede elétrica.

Como uma placa solar produz cerca de 25 volts (V) em corrente contínua, a função do microinversor é compatibilizar essa energia com a tensão de 127 V ou 220 V da corrente alternada da rede elétrica.

Para a produção local de energia, basta instalar o painel solar no telhado da residência e o microinversor em um ponto da rede, como se fosse um eletrodoméstico.

Se o consumo da residência for inferior à produção, o excesso pode ser exportado para a concessionária local. Um medidor bidirecional instalado em substituição ao medidor de energia padrão permitirá registrar a energia fornecida e recebida ao longo do dia, de forma que o usuário pague apenas pela diferença.

Capacitores eletrolíticos

Segundo Gazoli, a grande inovação do seu microinversor é a eliminação dos capacitores eletrolíticos, componentes responsáveis pelo armazenamento momentâneo de energia.

Esses componentes possuem vida útil curta, de sete anos em média, quando trabalham sob temperaturas altas, como no caso da geração solar de energia.

Já um sistema fotovoltaico tem uma vida útil da ordem de 25 anos, o que força a troca do equipamento várias vezes.

O principal objetivo da pesquisa da Unicamp é construir um microinversor com grande vida útil que não use capacitores eletrolíticos, equiparando assim a vida útil de todos os equipamentos usados na “usina doméstica”.

O Brasil ainda não possui uma regulamentação que permita a negociação direta da energia produzida por particulares com as concessionárias, embora o assunto esteja em discussão sob o patrocínio da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Eletro Eletrônica).

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